Os Bastidores Dos 40 Anos De Playboy No Brasil 4: Xuxa e Pelé

 

"De repente, ali estava ele: o sorriso planetariamente conhecido, o topete típico, inimitável, metido dentro de um estranho traje entre o terno e um conjunto esportivo, com calças e uma espécie de paletó ou casaco sem gola do mesmo material: couro macio azul.
O Rei, o Atleta do século, o magno, o mito.
O homem mais famoso do mundo, Pelé, acabara de chegar a uma sala do sexto andar da, na época, sede da Editora Abril na marginal do Tietê, em São Paulo, em uma tarde de um dia de determinado mês de 1985.
Pelé abrira espaço na sua movimentadíssima, quase inverossímel agenda para uma missão de caráter pessoal: recolher, ele mesmo, todos os cromos (slides) e negativos de todas as fotos em que Maria da Graça Meneguel, a Xuxa, namorada do Rei desde 1981, aparecera nua nas páginas de Playboy. Xuxa, àquela altura , havia ultrapassado de longe a categoria de estrelinha em busca de popularidade, que exibia no Carnaval e surgia seminua ou despida em revistas, e se consolidava havia dois anos na TV como a apresentadora de programas infantis que se tornaria a 'Rainha dos Baixinhos'."


 "Preocupada com sua nova imagem , Xuxa, que posara nua  em cinco oportunidades para um concorrente de Playboy de circulação menor, a extinta EleEla, da Bloch Editores, não queria deixar rastros dessa fase de sua vida."






















 "A apresentadora ainda tomaria medidas polêmicas nessa refeitura de imagem, que incluíram a apreensão, graças a uma medida judicial, de todas as cópias em Vídeo e DVD do filme do Amor estranho amor (1982), do respeitado cineasta Walter Hugo Khouri, no qual sua  personagem não apenas aparecia nua como introduzia um menino de 12 anos no mundo do sexo."

Amor Estranho Amor


"A reunião fora acertada entre Pelé e o diretor da redação de Playboy na época, o quase legendário, Mario Escobar de Andrade, que comandou direta ou indiretamente a revista desde pouco tempo após o lançamento, em 1975, até falecer de forma prematura em 1991, quando, sem deixar de supervisionar a publicação, vinha acumulando outras funções.
Pelé não poderia, em troca da gentileza da devolução das fotos (algumas, por contrato ainda poderiam ser publicadas), atender com especial atenção a um jornalista da publicação, 'abrindo'  sua vida de maneira mais livre que costumava fazer com a imprensa?   
Pelé topou na hora e Mario, rápido, já indicou quem iria procurá-lo: o editor Nirlando Beirão."


"O que ocorreria é que Playboy, aproveitando a capa com Xuxa e a irmã , acabou explorando o "veio Xuxa" a partir de então. Vieram, em consequência, capas como a atriz Luciana Vendramini uma das 'xuxetes', denominação que prescedeu as paquitas), em dezembro de 1987,


com Andreia Veiga (paquita), em setembro de 1988,

Com Regina Meneguel (Cunhada de Xuxa), em maio de 1989,


com Deborah Meneghel (prima), em outubro de 1989,



e com a também xuxete Shirley Miranda, em julho de 1992.



Em  minha gestão, fizemos uma capa com a ex-paquita Andrea 'Sorvetão', em dezembro de 1995." 




(Ricardo Setti, ex-diretor da Playboy no Brasil)


"Pelé pretendia levá-la com ele para Nova York, abrir as portas de uma agência internacional de modelos e aquele, hum, deslize do passado poderia provocar algum embaraço na carreira dela. 

Mario, previamente informado, aceitou de cara: 'Como não atender ao pedido de um Rei?'. Entregou-lhe um pacote de cromos ( eram assim as fotos, naquela época) e, em contrapartida, negociou uma ampla reportagem sobre a vida do Rei em Nova York. É aqui que eu entro na história ― em parceria com Luiz Fernando Mercadante ―  tão logo o Rei e o advogado saíram da sala, Mario abriu uma gaveta e, com aquele sorriso de moleque travesso, me mostrou um pacote de cromos. 'Dei as cópias, fiquei com os originais', comentou. 'Logo, logo, ele já terá desistido dela'. Não deu outra."

(Nirlando Beirão, editor especial da Playboy no Brasil)




Comentários